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O que é codificação segura? Importância e boas práticas

Os ataques cibernéticos crescem a cada ano. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2024 da IBM, o custo médio de uma violação de dados atingiu US$ 4,88 milhões globalmente. Esse cenário exige que empresas repensem como desenvolvem software. A segurança não pode mais ser tratada como uma camada adicional aplicada no final do processo, ela precisa estar presente desde a primeira linha de código.

Codificação segura é a prática de desenvolver software com resistência a vulnerabilidades desde o início do ciclo de desenvolvimento. Em vez de apenas pensar em funcionalidades, cada decisão de arquitetura e implementação considera possíveis brechas de segurança. Na NextAge, aplicamos essas boas práticas há 18 anos em todos os projetos que desenvolvemos para nossos clientes, e separamos um pouco do que pode ser aplicado nesse artigo. Vamos lá?

Equipe de desenvolvedores trabalhando em múltiplos monitores com código de segurança e análise de vulnerabilidades em ambiente de desenvolvimento

O que é codificação segura?

Codificação segura significa escrever código que previne vulnerabilidades conhecidas através de técnicas, padrões e ferramentas específicas aplicadas durante todo o desenvolvimento. Enquanto o desenvolvimento tradicional foca primeiro em fazer o sistema funcionar para depois se preocupar com segurança, a codificação segura integra proteção desde a concepção.

Esse cuidado se estende por todo o ciclo de vida de desenvolvimento de software (SDLC). Desde o planejamento, onde se identificam requisitos de segurança, até a manutenção, quando atualizações corrigem vulnerabilidades descobertas após o lançamento.

Por que a codificação segura é essencial para o seu negócio?

A segurança no código protege o ativo mais valioso das empresas modernas: os dados. Com a LGPD em vigor no Brasil e regulamentações similares em outros países, falhas de segurança podem resultar em multas que chegam a 2% do faturamento anual da empresa. Além das penalidades legais, há o custo operacional.

O Ponemon Institute demonstrou em seu estudo de 2023 que corrigir uma vulnerabilidade durante a produção custa 30 vezes mais do que corrigi-la durante o desenvolvimento. Essa diferença acontece porque problemas detectados tarde exigem retrabalho em múltiplas camadas do sistema, testes extensivos e coordenação de deploys emergenciais.

A continuidade dos negócios também depende diretamente da segurança do software. Um ransomware que paralisa os sistemas pode custar milhões em receita perdida, sem contar o impacto na cadeia de fornecedores e clientes. Na NextAge, desenvolvemos sistemas que mantêm a operação protegida através de práticas consistentes de segurança, aplicadas em nossos serviços de Outsourcing 2.0, sustentação de Sistemas 2.0 ou desenvolvimento sob medida.

Principais vulnerabilidades que a codificação segura previne

Conhecer as vulnerabilidades comuns ajuda a entender onde concentrar esforços de proteção.

  • Injeção de SQL acontece quando um invasor insere comandos de banco de dados através de campos de entrada. 
  • Cross-Site Scripting (XSS) permite que código JavaScript malicioso seja executado no navegador de outros usuários. Isso pode roubar cookies de sessão, redirecionar para sites falsos ou modificar o conteúdo exibido.
  • Vazamentos de memória ocorrem quando o programa aloca memória durante a execução sem liberá-la depois. Com o tempo, o sistema consome todos os recursos disponíveis e trava. 
  • Desserialização insegura acontece ao converter dados externos (como JSON ou XML) em objetos internos sem validação adequada. 
  • Referências de objeto direto inseguras (IDOR) expõem IDs sequenciais que permitem adivinhar recursos de outros usuários. 
  • Travessia de diretório permite navegar pela estrutura de pastas do servidor através de caminhos relativos como “../”. 

Essas vulnerabilidades estão listadas no OWASP Top 10, o ranking das ameaças mais críticas em aplicações web atualizado regularmente pela comunidade de segurança.

Mãos digitando em teclado com sobreposição de ícones de cadeados conectados representando criptografia e codificação segura em código de programação

Boas práticas de codificação segura

1. Validação e higienização de dados

Toda entrada vinda de usuários, APIs externas ou arquivos precisa ser verificada antes de ser processada. A validação confirma se o dado está no formato esperado: um e-mail contém “@”, um CPF tem 11 dígitos, uma data segue o padrão correto.

A higienização remove ou escapa caracteres perigosos. Se alguém digita “<script>alert(‘xss’)</script>” em um campo de nome, o sistema deve remover as tags HTML ou convertê-las em texto puro. Essa limpeza deve acontecer sempre no servidor, nunca confiando apenas em validações do navegador que podem ser facilmente contornadas.

Ao exibir dados para o usuário, use mecanismos que impedem a execução de código. Frameworks modernos como React já fazem isso automaticamente ao renderizar variáveis, porém é preciso cuidado ao usar recursos que permitem HTML direto.

2. Controle de acesso rigoroso

O princípio do menor privilégio determina que cada usuário ou sistema deve ter apenas as permissões necessárias para executar suas tarefas. Um funcionário do financeiro não precisa acessar dados de RH.

A autenticação multifator (MFA) adiciona camadas de proteção além da senha. Mesmo que credenciais vazem, o invasor ainda precisa do segundo fator, geralmente um código temporário no celular ou um token de segurança.

O controle baseado em funções (RBAC) organiza permissões em grupos lógicos. Em vez de configurar acessos individualmente para 100 funcionários, você cria papéis como “gerente”, “analista” e “auditor”, cada um com suas permissões específicas.

3. Verificação de código de terceiros

Bibliotecas e frameworks aceleram o desenvolvimento, porém podem introduzir vulnerabilidades. O relatório State of Software Security mostrou que 79% das aplicações contêm ao menos uma falha de segurança em componentes de terceiros.

Audite as dependências do projeto regularmente. Ferramentas como npm audit, Snyk ou OWASP Dependency-Check identificam vulnerabilidades conhecidas nas bibliotecas que você usa. Fixe versões específicas em vez de aceitar atualizações automáticas que podem quebrar funcionalidades ou introduzir problemas.

4. Uso de linguagens e ferramentas modernas

Linguagens modernas incorporam recursos de segurança que previnem classes inteiras de vulnerabilidades. Rust, por exemplo, verifica o uso de memória em tempo de compilação, eliminando problemas como use-after-free e buffer overflow que afetam C e C++.

Para projetos que não exigem controle fino de memória, linguagens com coleta de lixo como Java, C# ou Go simplificam o gerenciamento de recursos. TypeScript adiciona verificação de tipos ao JavaScript, reduzindo erros que podem criar brechas de segurança.

Analisadores estáticos de código examinam o código-fonte em busca de padrões problemáticos antes mesmo da execução. SonarQube, Checkmarx e ferramentas SAST (Static Application Security Testing) integram-se ao pipeline de desenvolvimento e bloqueiam commits que introduzam vulnerabilidades conhecidas.

Automatize as revisões de código. Cada pull request deve passar por verificações automáticas de segurança antes da aprovação manual. Isso garante consistência e libera a equipe para focar em aspectos mais complexos durante a revisão.

Profissional interagindo com interface holográfica de segurança digital mostrando ícones de cadeado, escudo e proteção de dados em tela de laptop

5. Tratamento adequado de erros

Mensagens de erro detalhadas ajudam desenvolvedores a diagnosticar problemas, porém entregam informações valiosas para invasores. Uma mensagem como “Erro ao conectar com banco de dados MySQL na porta 3306” revela tecnologia, configuração e possíveis vetores de ataque.

Mostre mensagens genéricas para usuários finais: “Ocorreu um erro. Tente novamente mais tarde.” Os detalhes técnicos devem ir apenas para logs internos, acessíveis somente pela equipe de desenvolvimento e operações.

Esses logs precisam de cuidados também. Nunca registre senhas, tokens de autenticação ou dados pessoais sensíveis. Configure alertas para padrões suspeitos: múltiplas tentativas de login falhadas, acessos fora do horário comercial ou requisições anormalmente grandes.

Monitore os logs ativamente. Ferramentas como Splunk, ELK Stack ou Datadog agregam informações de múltiplos sistemas e facilitam a detecção de incidentes em tempo real.

6. Criptografia e proteção de dados

Senhas nunca devem ser armazenadas em texto puro. Use funções de hash projetadas para esse fim, como bcrypt, scrypt ou Argon2. Esses algoritmos são intencionalmente lentos, dificultando ataques de força bruta.

Dados sensíveis em repouso, armazenados em bancos de dados ou arquivos, precisam de criptografia. AES-256 é o padrão atual para criptografia simétrica, oferecendo proteção robusta com performance aceitável.

A comunicação entre cliente e servidor deve sempre usar HTTPS, que criptografa os dados em trânsito. Certificados SSL/TLS modernos (TLS 1.3) garantem que ninguém intercepte ou modifique as informações durante a transmissão.

Gerencie chaves criptográficas com cuidado. Nunca as inclua diretamente no código-fonte. Use serviços especializados como AWS KMS, Azure Key Vault ou HashiCorp Vault para armazenar e rotacionar chaves de forma segura.

Como a NextAge implementa codificação segura

Com 18 anos de experiência em desenvolvimento de software, a NextAge integra segurança em todas as fases dos projetos. Nossa abordagem começa na análise de requisitos, onde identificamos dados sensíveis, fluxos críticos e pontos de exposição.

Durante o desenvolvimento, aplicamos as práticas descritas neste artigo de forma sistemática. Revisões de código incluem verificações de segurança específicas. Testes automatizados validam não apenas funcionalidades, porém também comportamento diante de entradas maliciosas.

Nos serviços de outsourcing 2.0, nossa equipe trabalha integrada ao time do cliente, compartilhando conhecimento sobre codificação segura. Isso fortalece a cultura de segurança dentro da organização contratante.

Para projetos de sustentação de sistemas, realizamos auditorias de segurança no código existente, identificando e corrigindo vulnerabilidades. Implementamos melhorias incrementais sem comprometer a estabilidade.

Projetos de escopo referencial são desenvolvidos do zero seguindo as melhores práticas desde a primeira sprint. Escolhemos tecnologias modernas, configuramos pipelines de CI/CD com verificações de segurança e documentamos decisões arquiteturais relacionadas à proteção de dados.

Precisa de sistemas desenvolvidos com as mais altas práticas de segurança? Fale com nossos especialistas. Clique aqui.

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